Publicado por: Paulo Ricardo Nascimento | julho 20, 2009

8º dia de oficina – 15/07/2009

Seguimos explorando o exageramento dos movimentos e ainda o desenvolvimento da cena num percurso de entrada e saída daquela figura (personagem) ainda em vias de definição.

Na verdade, o Michel e a Cleice já definiram seus “passos” e tem quase que uma partitura de movimentos. O Rodrigo, apesar de ter definido quase tudo, ainda tem dúvidas sobre a saída de cena e ainda produz uma variação considerável de movimentos. A Katiuscia continua fazendo sem definição, quase um repetir mecânico, sem muito sentido aparente (quer dizer há um sentido quando ela explica – que muda a cada vez que faz, apesar dos movimentos muito parecidos – mas, não há um sentido para quem vê, ou melhor, há vários sentidos para quem vê. E a proposta não é essa, a proposta é se fazer entender). Ainda assim, ela parece ter (ou estar tomando) consciência disso e busca a definição.

Deveríamos seguir para o exercício com o pano branco que pedi ontem, mas somente o Rodrigo trouxe. Então pedi que tornassem além do exagero, cada vez mais decupado (partiturizado) seus movimentos.

Para lembrar: estamos no IAP, na sala de dança. Sala onde também está montado o espetáculo do Jeferson Cecim. Ele chegou as 16h e, ao ser perguntado, pediu para que ficássemos no máximo até as 17h. Fui em busca de outra sala para trabalharmos. O Nando ofereceu a sala Multimeios. A multimeios estava multidesarrumada, multisuja e com um multiodor de ácaros pelo ar, tive que parar a oficina mais um pouco para limpar a sala. Encontrei em um banheiro um pano, uma vassoura e uma torneira com água. Fiz o que pude

Retornamos ao exercício do percurso, mas, dessa vez, com os movimentos mais claros para cada um deles. Depois que cada um apresentou e repetiu a sua cena, pedi que narrassem descrevendo os movimentos. Então, partimos para o início do trabalho com objeto. A proposta é que se repita a cena, que cada um fez como ator, usando o objeto como personagem (isso deveria acontecer depois de repetirem a cena utilizando o pano branco no rosto, como uma máscara).

Cada um foi individualmente descobrir o seu objeto, atribuir-lhes sinais de vida. Procurar um centro pensante, uma maneira de olhar, de focalizar, o que será a frente e a costa, como o objeto se locomove, tudo tendo a cena como imagem para essa busca.

Os objetos trazidos foram: um Chapinha elétrica para alisamento de cabelo (?), da Cleice; Tubos conduítes hidráulicos, com Michel; um desentupidor de pia, da Katiuscia; e a metade superior de uma garrafa pet de coca-cola, do Rodrigo. Cada um trabalhou numa carteira da sala, buscando se apropriar e familiarizar com a idéia do pernogem objeto.

Não nos aprofundaremos nesse tipo de manipulação, não é a proposta da pesquisa, estamos apenas criando parametros para levantar conceitos.

Quando o exercício foi encerrado, abrimos para discussões. Falaram da dificuldade da consciência do movimento e como cada um fez para tomar essa consciência. Um fez um roteiro simples para não se perder, o outro buscou uma consciência corporal, a partir de referências na cena, outro ainda não tem consciência…

Ao transportar as ações para o objeto começaram a descobrir as possibilidades que o ator não tem e as restrições do objeto. Levantaram a necessidade de experimentar e repetir conscientemente com o objeto. Citaram o fato de que, com o objeto, se pode ver a ação do personagem, como ator não dá; Que o exercício de consaciência do movimento ajudou ao transpor para o objeto, pois cada um acabou criando uma metodologia (ou o roteiro, dividindo intensões ou em quadros). Também falamos que para transportar para o objeto foi preciso percebê-lo enquanto objeto e entendê-lo para descobrir como ele poderá realizar as ações, porém, sem deixar de se perceber como atuador. A partir dele pode-se re-significar seus movimentos para dizer o que o ator dizia. Pertcebemos que com o objeto a cena pode ser muito mais poética.

Essa discussão trouxe à tona, no meu roteiro de trabalho, que esse é o momento, então, de um pequeno aprofundamento teórico. Amanhã trarei uma cópia d’Os Escritos (texto produzido por mim na 1ª fase da pesquisa, postado neste blog em páginas) impressa para cada um e faremos uma leitura de alguns tópicos.

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