Publicado por: Paulo Ricardo Nascimento | julho 28, 2009

9° dia de oficina – 16/07/2009

Ontem, no final do trabalho, avaliamos que deveríamos voltar para o Casarão do Boneco. A estrutura do IAP não está agradando. Ok! Voltamos.

Iniciamos, após o aquecimento, num exercício que brinca com a noção espacial do ator e o sua predisposição para se adaptar a espaços diferentes. Na verdade, um parêntese na oficina para exercitar uma das habilidades que os atores do In Bust tiveram que desenvolver pelo fato de sempre apresentarem em lugares diferentes. Propus que passassem a cena individual, das figuras atravessando o palco, na largura da sala do Casarão. Na sequência, que fizessem o mesmo, mas, num espaço de boca de cena que cada um achasse mais adequado. Depois tracei uma diagonal entre os cantos da sala e essa foi a boca de cena. Depois diminuí o espaço para dois passos meus, essa, então, passou a ser a boca de cena. Sempre que um estava em cena os outros formavam a platéia, que se deslocava na sala de acordo com a posição da cena. Voltei a propor que a cena ocorresse na largura da sala, mas que fosse feita como se o público estivesse no palco, atrás do ator.

 Nenhuma das outras experiências de variação espacial fez tanta diferença na atuação dos participantes quanto o fato de o público está atrás. Houve problemas com a lateralidade, como se a cena tivesse que ocorrer no sentido contrário. Também alteraram as referências relativas ao roteiro pessoal das ações da cena (ex: o que era pra juntar de um lado foi juntado de outro). Então a fala dos atores se referiu ao fato de estarem sempre buscando a platéia como referência ou mesmo a presença de um outro ator, mas a platéia sempre.

Exercício com pano cobrindo o rosto (máscara)

Exercício com pano cobrindo o rosto (máscara)

Propus que utilizassem a máscara (pano branco) para realizarem a cena. A falta do rosto como recurso de expressão os obrigou a exigir mais do corpo. Na fala deles, o corpo ficou muito mais expressivo inclusive a cabeça. A preocupação com a platéia como referência também alterou. Existe a preocupação de comunicar, mas não a referência espacial. Detectamos que quando não é possível ver o rosto o significado da “fala” corporal modifica, é preciso então acrescentar ou tirar signos do corpo para se manter o significado.

Essa discussão puxou para a leitura do material teórico produzido na 1ª etapa desta pesquisa (tudo tá postado aqui no blog, nas páginas). Distribuí o material e fizemos uma leitura de alguns tópicos referentes a teoria, pulei toda a parte que trata do histórico do grupo e das transformações ocorridas mundialmente na relação do manipulador com o boneco. Foi uma leitura para mera informação e instigação para que leiam individualmente.

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