Publicado por: Paulo Ricardo Nascimento | agosto 26, 2009

10º dia de oficina – 21/07/2009

(Demorei pra postar novamente, mas vou buscar mais assiduidade. Seguem os dias restantes da oficina terminada em julho.)

A Cleice trouxe seus pensamentos escritos. Leu para nós. Dizia sobre o ator e a construção do personagem, sobre o seu modo de criar. Não vou comentar sobre, pois ela prometeu colocar aqui no blog.

Ela nos levou a falar do que chamo de linha-base dos personagens que cito nos escritos postados na página deste blog Como joga o ator-manipulador? sobre a tese de que a linha construída do personagem do ator-manipulador e do boneco que ele manipula tem uma mesma base, a partir da experiência dos espetáculos de repertório do In Bust.

 Rodrigo achou que vai ser difícil chegar a isso na oficina. Comentei que não era objetivo da oficina o ator experimentar vários personagens, mas que poderemos chegar a isso no resultado da pesquisa, lá pra fim de novembro. Cleice lembrou alguma reflexão proposta pelo pessoal do Lume sobre representar e interpretar (espero que ela coloque aqui isso também).

Michel levantou uma discussão sobre o item dos meus Escritos (blogado nas páginas deste) cujo título é “É ator”. Queria entender mais o que eu quis dizer com “…o personagem não é muito ‘crível’.” Falei de como, durante a apresentação de um espetáculo do In Bust, o personagem do ator-manipulador, apesar de consistente, é tênue, passível de revelar vez por outra o seu criador.

Boa essa proposta de começar o trabalho da oficina ouvindo o que o outro está pensando sobre o assunto. Acho que vou adotar essa prática.

Fomos às atividades práticas. Após o aquecimento individual, fizemos um novo exercício de caminhada. Dessa vez a idéia era reagir com o corpo inteiro, mas privilegiando o olhar, a um barulho provocado por mim. No início deixei livre a reação e aos poucos fui direcionando para as maneiras diferentes de reagir. Também pedi que partiturizassem seus movimentos ao reagir, fazendo uma coisa de cada vez: Parar, olhar, reagir; parar, reagir, olhar, reagir; parar, reagir, olhar, se aproximar, olhar de perto, reagir, seguir.

Pedi então que buscassem seus panos brancos e cobrissem o rosto (como uma máscara). Mascarados, caminharam pela sala alterando a velocidade de acordo com o meu comando. Repetimos o exercício anterior de, ao ouvir um barulho, reagir. Repeti os comandos do exercício feito sem o pano. A idéia é fazer o corpo inteiro reagir e direcionar o foco, não apenas o olhar ou a cabeça. Fazer os atores perceber como reagiria o boneco, que no geral tem um olho que não se movimenta.

Nas falas após os exercícios o que se disse foi que a dificuldade de realizar as ações e reações sem o rosto leva ao envolvimento do corpo como um todo.  Também se percebeu que os movimentos precisam ser “decupados” para que fiquem mais compreensivos. Quanto mais emendadas as ações, menos se entende e quanto menos movimentos para realizar uma ação mais expressiva ela parece.

Alguém ainda questionou como seria ter um ator na cena com o boneco sem definir o personagem, lembrando a nossa discussão sobre a necessidade de um personagem definido.

Experimentação com objeto

Experimentação com objeto

Fomos então ao exercício com os objetos propostos pelos atores. Sobre uma mesa, cada um voltou a experimentar os movimentos de caminhada, maneiras de se locomover. Propus que alterassem o humor do objeto em muitas variações e como seria a locomoção desse objeto em cada estado de humor.  Em seguida cada um reproduziu com o seu objeto a cena que havia proposto.

Abrimos o assunto para que cada um expusesse suas experimentações do momento. Foi bem comum a sensação de estar brincando como se tivesse voltado a infância.

Insisti para que lessem o material que distribui, escritos da primeira fase dessa pesquisa e que escrevessem suas impressões, reflexões, pensamentos, se possível, como comentários aqui no blog.

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Responses

  1. oi paulo ricardo, aqui está uma parte do meu diario de bos=rdo acerca da oficina laboratorio: http://redeteatrodafloresta.ning.com/profile/KatiusciadeSa

    tambem te mandei um email com os meus horario disponiveis caso eu possa participar da proxima fase.
    abraço

    • Oi Katiuscia, legal que começastes a responder aqui. Já li e tenho uma consideração: Dizeres que não entendi o teu raciocínio é uma visão tua de fora pra dentro. Para dentro de mim, não sei como consegues. Sigo: O exercício era escutar o objeto e não descobrir os mecanismos da manipulação. Então não foi um “não entender”, pois estava claro, foi um “atente-se ao objetivo do trabalho”.
      Beijo


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