Publicado por: Paulo Ricardo Nascimento | novembro 17, 2009

1ª Semana de Experimentação

            Entre 21 e 27 de outubro fizemos uma retrospectiva “homeopática” dos escritos de pesquisa (publicados no aqui, nas páginas deste blog) e ajustamos horários para iniciar a experimentação. Foram dias em que o trabalho se deu sem o grupo completo. Serviram para atualizar informações da teoria, questionar alguns conceitos e esclarecer outros. Porém, nada do que está publicado foi modificado, apenas detectei a necessidade de acrescentar algo sobre o desdobramento objetivado e a dissociação, algo específico desses dois aspectos do trabalho do ator-manipulador que esteja presente no trabalho dos atuadores do In Bust (ainda não elaborei). No mais, seguimos lendo e discutindo, fixando informações conceituais, para que, ao entrarmos na experimentação, isso flua conscientemente para a prática.

 

1ª semana de experimentação  

            A experimentação de fato começou na semana de 09 a 13 de novembro – Neste mês trabalharemos todas as segundas, quartas e sexta á tarde. No primeiro encontro criamos acordos para os momentos de experimentação no intuito de instalar um mínimo de norma tornando todos responsáveis pela realização dessa fase da pesquisa.

            Acordamos que o início será as 14:30, com uma tolerância de 15 minutos. Esse tempo será para trocar de roupa e, se necessário, cuidar para que o espaço esteja pronto para o uso. Se dois, dos três colaboradores, estiverem presentes o trabalho é iniciado. Tentei instaurar a idéia de aproveitamento do tempo, para que não tenhamos momentos de ociosidade. Se todos sabem o que é preciso fazer para que o trabalho comece, então que todos se empenhem para isso. Celulares silenciados e a noção de que os problemas externos estarão nos esperando às 18h, quando encerrarmos a atividade de cada tarde de trabalho, também foram aceitos no acordo.

            Sem o empenho individual dos atores colaboradores eu não tenho como realizar as experimentações. Assim, será preciso que tragam suas “bagagens”, seus conhecimentos e experiências, para compartilhar com todos, e que estejam dispostos e disponíveis ao trabalho, ou que deixem claro o contrário. Todos receberam um caderninho para registrar, à sua maneira, seu processo. Caderninhos que, ao final deste percurso, retornarão para mim para integrarem a pasta da pesquisa. Também combinamos que cada um trará suas dúvidas, reflexões, idéias, questionamentos, conclusões, tudo previamente registrado no caderninho, para serem expostas em momentos diários que teremos para falar sobre o que experimentaremos. Solicitei ainda que cada um faça uma postagem aqui no blog, pelo menos uma vez por semana. Todos toparam

           O ponto de partida é a prática. Nesse momento trataremos pouco da teoria. Ela será confrontada com a experimentação a partir do que formos fazendo nos momentos de trabalho. A proposta de que cada ator colaborador traga um personagem será o condutor inicial na busca de um resultado, mas esta primeira semana foi para experimentar princípios básicos do trabalho do ator-manipulador.

            Em atividades simples busquei conduzir os atores a uma percepção de si, do espaço e do outro. Aproveitei os momentos de aquecimento físico para encaminhar um auto-olhar, um perceber-se a partir das tensões e relaxamentos que os exercícios de aquecimento e alongamento provocam no corpo, notando limites físicos e forçando um pouco o contato com eles. Além de alongar os músculos e aquecê-los, quis uma busca consciente de tensões desnecessárias para que possam ser percebidas e controladas durante o trabalho de manipulação. Ora, uma vez que as tensões desnecessárias são percebidas, cria-se uma intimidade com as que são indispensáveis ao trabalho realizado.

            Uma caminhada aleatória pelo espaço serviu todos os dias para um reconhecimento da sala. Porém, sentir o espaço – pelo contato tátil dos pés no chão, do ar passando pelo corpo e pelas pequenas mudanças de temperatura, pelo contato visual a partir das diferenças na iluminação, pelos ruídos e sons da sala e os externos, pelos cheiros do ambiente – é uma preparação para ter a atenção dispersada sem a perda do foco do trabalho. Propus, ao longo da caminhada, que buscassem formas diferentes de se locomover, que alterassem o ritmo, a forma, o equilíbrio, sem, no entanto, perder a qualidade da percepção que já havia sido alcançada, e que buscassem perceber o outro ao realizar seus percursos pela sala. Acrescentei a tudo a preexistência de um boneco de luva. Solicitei que, além do que já estavam fazendo, colocassem uma das mãos suspensa acima da cabeça, pela lateral do corpo e que, a partir disso, durante o trabalho, passassem a olhar para aquela mão, mas, sem perder toda a percepção que já estavam experimentando. Levei-os a uma busca consciente da distribuição da atenção. A idéia é repetir esse trabalho sempre que necessário.

            Iniciamos um trabalho de improvisação com bolas de malabares, aproveitando ainda para trabalhar foco. A improvisação consistia em um jogo de palavras ditas em associações livres e aleatórias, a partir da palavra dita anteriormente. O próximo a falar era sempre determinado pela passagem da bola ou do olhar.

            Também propiciei um momento de contato com bonecos de luva (fantoches) na intenção de instigar metáforas que essa técnica de manipulação pudesse sugerir. Não chegamos a nenhuma possibilidade. Talvez minha condução não tenha sido adequada e meus questionamentos pouco claros.

            Sobre as conversas diárias, vou deixar que os atores acrescentem suas colaborações.

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