Publicado por: Paulo Ricardo Nascimento | dezembro 9, 2009

Por Michel Amorim

 I

            No dia 21 de outubro, no casarão do boneco, conversei com o Paulo, ele me disse que teríamos que apresentar um resultado, não final, mas do processo, em dezembro. Discutimos como poderia ser esse resultado. Lembrando que a quarta participante a Katiuscia não está mais nesse momento do processo. Somente Rodrigo, Cleice e eu continuamos.

           Cada ator vai ter que construir a partir das relações, possíveis, do jogo entre boneco e ator-manipulador, um ou mais personagem para o ator e para o boneco.

            Foi sugerido pelo Paulo que a gente crie pelo menos um personagem para o ator-manipulador. E que inclusive esse personagem possa ser um que já tenhamos em mente ou feito em outro momento qualquer e que gostaríamos de mostrar, mesmo que depois esse personagem seja descartado no meio do processo.

           Disse para o Paulo que tenho a ideia de um personagem que tenta suicídio e não consegue. Tenta fazer milhões de coisas e não consegue porque está preso a outro personagem. O Paulo pediu que eu não me decidisse já. Quem nessa relação é ator-manipulador e quem é personagem boneco. Por enquanto a idéia que tenho, contrariando o Paulo, é de que o personagem do boneco tenha a relação de dependência com o ator-manipulador. Mas vou parar por aqui porque estou pensando nas relações possíveis entre boneco e ator-manipulador.   

              

II

           Estou pensando num personagem para o ator-manipulador que sejam vários ou brinque de ser vários, sempre trocando de personalidades. Um exemplo seria usar um boné de militar e ver que relação é possível nascer com o boneco e o ator. A ideia é tentar descobrir as varias possibilidades de relações com vários personagens. Tentar criar na relação com o militar de subserviência. Um outro exemplo: um personagem cego que é guiado pelo outro. Seria de dependência. E ir invertendo essa ordem entre personagem boneco e personagem ator-manipulador.

           Possíveis relações: 

  • Dependência
  • Subserviência
  • Confronto
  • Controle
  • Competição
  • Etc.

                         

III

            Quando era criança sempre ia pra casa da minha vó nos finais de semana, ao lado da casa dela morava um amigo meu, amigo de finais de semana e de férias, é o Marcelo.

           O Marcelo tinha um jeito bem diferente de brincar do que o meu, era meio louco, uma espécie de espírito irrequieto e transloucado. Às vezes acabava quebrando os brinquedos no auge da febre lúdica.

           Como já fiz em outros trabalhos, inclusive no “catolé e caraminguás” da In Bust, trazer para o laboratório teatral coisas de pessoas próximas ou amigas. Não é um trabalho de mimese, mas trago elementos da personalidade ou trejeitos. Isso não é uma regra no meu trabalho e também não tenho muitos critérios fixos, vejo somente se cabe ou não. Quero trazer justamente esse “espírito” do Marcelo para as experimentações.

           Um problema do qual estou sofrendo é imaginar as relações possíveis entre boneco e ator-manipulador, já que ainda não estamos trabalhando em laboratório com boneco.

  

IV

            Como num primeiro momento pensei num personagem-boneco que tenta suicídio e não consegue, tenta voar e também não consegue, porque tem seus movimentos controlados por um outro personagem. Comecei a pensar que se trata de um tema pesado, diria até cinza. Como então contar essa estória, mantendo a mesma mensagem sem que toda essa carga pesada se sobressaia sob todas as outras camadas que tem um espetáculo de teatro. Para melhor distribuição dessas camadas direi que é uma orquestração de todas elas.

           Numa discussão anterior com o Paulo sobre esse tema, ele me disse, dando um exemplo, que no espetáculo “fio de pão” trata-se de uma família de retirantes nordestinos que tenta ganhar a vida com muitas dificuldades, mas a estória é leve e bem humorada. Entendo que isso não está explicito, mas implícito. Vou atrás da ingenuidade infantil para buscar a leveza poética. Algo parecido com isso é o mendigo criado pelo Charplin, é claro que não estou querendo outras comparações, mas é somente simples exemplo para melhor entendimento. 

V

Características do boneco personagem:

v  Ele é todo branco e preto_ é uma lembrança em branco e preto;

v  Camisa branca;

v  Suspensório preto;

v  Calça preta;

v  Cabelo preto;

v  Sobrancelha preta;

v  A boca fica a critério do bonequeiro;

v  Ele é jovem.

Obs.: sobre uma característica psicológica que deverá ser refletida na física_ ele é sereno.

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