Pra começar a pesquisar

Em linhas gerais, a proposta desta pesquisa é investigar o ator do grupo In Bust, aqui chamado de ator-manipulador, destacando aspectos desta atuação, crendo que o grupo possui maneira diferenciada de cumprir as funções de ator e de manipulador, unindo as duas funções e tornando-as particular.

Esse momento, de início de investigação, é uma busca teórica sobre o ator no teatro de bonecos (ou no teatro de animação, num termo abrangente, mas buscando especificamente a atuação com o boneco), mais precisamente quando o ator passou a dividir a cena com o boneco, como fazem os atuadores do grupo In Bust.

Tentarei ainda buscar informações sobre a criação de personagens, sobre tipos de encenação teatral (?), sobre o jogo com a platéia, pelo menos.

Na perspectiva de propor uma pesquisa, conversei por ocasião de uma visita sua ao Casarão do Boneco, com o Prof. Dr. Valmor Nini Beltrame, da Universidade de Santa Catarina, que me propôs algumas leituras: O nº I da revista Móin-Móin, edição com tema voltado para o ator no teatro de animação, que já havia lido. Esta é uma revista de estudos sobre teatro de formas animadas, publicação conjunta entre a Sociedade Cultura Artística (SCAR) de Jaraguá do Sul e do Programa de Pós-Graduação em Teatro (Mestrado) da Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC, tem publicação anual e já contam 5 edições ; o livro O Ator e Seus Duplos, de Ana Maria Amaral, Doutora da Universidade de Campinas, uma das principais teóricas dá área, que também já havia lido e que uso como uma das fontes para oficinas de manipulação; sugeriu algumas recentes dissertações, as quais, posteriormente, enviou por email. Também citamos o livro do Marco Souza, O Kuruma Ningyo e o Corpo no Teatro de Animação Japonês, que eu já havia buscado anteriormente, que trata do ator especificamente naquela técnica de manipulação do teatro japonês.

De leituras anteriores, retornei ao Manual Mínimo do Ator, do Dario Fo, que reúne uma série de palestras sobre a arte do ator, improviso e commedia italiana, e cheguei ao livro A Cena de Dario Fo: o exercício da imaginação, da Neyde Veneziano, que disserta sobre o trabalho de Dario Fo e de Franca Rame em sua companhia de teatro, acreditando que aspectos das atuações dos cômicos dell’arte que chegaram a atuadores e companhias contemporâneas, aparecem nas atuações do In Bust. E sobre a idéia do caráter improvisacional das encenações do grupo, consultei o livro Natureza e Sentido da Improvisação Teatral, da Sandra Chacra.

De forma leiga e sem nunca ter lido, achei que deveria buscar as teorias de Brecht, pois percebo uma preocupação do grupo, que aparece através das atuações dos atores-manipuladores, em evidenciar sempre, e de maneira condicional, a participação da platéia nos seus espetáculos, mesmo que como espectadores. Achei que isso poderia ser fundamentado na teoria do distanciamento proposto pelo Brecht. Sob sugestão de Wlad Lima, cheguei ao livro Brecht: a estética do teatro, do Gerd Bornheim.

De tudo, para começar, selecionei o livro MÉTAMORPHOSES La Merionnette au XX Siécle, de Henryk Jurkowski (na verdade, por onde o Professor Nini me sugeriu começar e que realmente é extremamente instigante). Trata-se de um apanhado histórico da transformação do teatro de bonecos do final do século XIX até o teatro de animação contemporâneo, cuja principal marco foi a entrada do ator na cena com o boneco. Também selecionei e a dissertação de mestrado A Interpretação Com o Objeto: reflexões sobre o trabalho do ator-animador, de Caroline Maria Holanda Cavalcante. Tem sido um valoroso guia na minha busca, já que ela foca, de maneira abrangente, o mesmo objeto, o ator que manipula bonecos, levantando aspectos técnicos desta atuação. Ambos do material enviado por Beltrame.

Dois artigos da revista Móin-Móin, O Papel do Ator no Teatro de Animação, de José Parente, da Universidade de São Paulo e O Ator no Teatro de Tadeusz Kantor, de Maria de Fátima de Souza Moretti, da Universidade do Estado de Santa Catarina, me chamaram a atenção, o primeiro porque é direto e inicia uma discussão filosófica sobre esta atuação. O segundo, porque a curiosidade é sempre instigada na direção do diferente, e o ator é a vida do boneco. Tadeusz Kantor trata desse aspecto e da finitude do ator. Sobre estes temas, busquei também o Relações de Vida e Morte no Teatro de Animação, de Paulo Balardim, que tece reflexões também sobre a prática da atuação com bonecos. Para começar.

Anúncios

Responses

  1. olá adorei a lista de materias, gostaria de saber como conseguir algumas desses livros…ou outro tipo de material…temos uma cia aqui e estamos na busca por desenvolvimento, da linguagem…abraço
    Anderson Guiam- Ubatuba- SP


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: