Publicado por: Paulo Ricardo Nascimento | julho 16, 2009

6º dia da oficina – 09/07/2009

Não postei o 5º dia da oficina, pois como disse antes, fomos todos para o bate-papo crítico sobre a 2ª edição do Festival Territórios de Teatro, que encerrou com a a criação do movimento Briga Lei do Teatro e  proposta firme de uma comissão executiva, cuja função será elaborar um manifesto em favor de uma Lei de Fomento ao Teatro para a Cidade de Belém e para o Estado do Pará.

Iniciamos o nosso encontro falando sobre o Papo no IAP, ontem. Todos estavam presentes e teceram seus comentários em favor de momentos como aquele, em que se reunem pessoas interessadas em discutir o fazer teatral cotidiano e profissional.

Estavam o Michel, a Cleice, o Rodrigo, a Katiuscia e o Dário. Como o Dario não havia participado no dia 07 (4º dia), pedi aos outros que narrassem o que havia acontecido. Siguimos para o aquecimento individual, cada um a seu tempo.

Voltamos ao exercício da caminhada cotidiana e natural da cada um. Sugeri que aos poucos fossem percebendo essa caminhada e exagerando nos movimentos até chegar numa espécie de caricatura da própria caminhada.

Alteração da caminhada cotidiana

Alteração da caminhada cotidiana

 Essa caricatura serviu então de base para mais uma figura, esboço de personagem, para cada um partir para uma imagem mais nítida acrescentando um som ou um gesto.

Caminhadas alteradas

Caminhadas alteradas

Feito isso, solicitei a demonstração das figuras propostas no dia anterior e que foram reelaboradas no dever de casa. Todos fizeram.

Mas, como a idéia é buscar a consciência de cada um sobre a sua maneira de atuar, sempre pararemos para uma conversa sobre o feito. A pergunta que disparou o papo foi: Essa figura esboçada com o corpo do ator, que contem um som expressivo e um gesto, é um personagem? A pergunta foi seguida de outra:  a figura reelaborada voltou mais nítida? ou seja, mais clara para quem faz e principalmente para quem vê?

As respostas diziam que ao se apresentar isolado, sem um contexto, sem uma situação, aquela figura não era um personagem. Faltavam elementos que o identificassem, que o localizassem e, talvez, até alguém (outra figura)para se relacionar. Também foi dito que seria preciso imaginar o personagem antes de o colocar em cena. Porém, mesmo não sendo um personagem, a figura ia ficando cada vez mais nítida.

Não buscamos na oficina responder o que é um personagem, mas como ele se configura para cada um, quais os mecanismos individuais para a sua elaboração, e essas respostas, mesmo que compartilhadas, são também pessoais. Mas respostas como – “pra mim está nítido”, quando ninguém que está vendo entendeu a figura, não servem aqui, a não ser que a proposta seja não ser entendido pela platéia (ou, a platéia que entenda o que quiser), que não é o nosso caso. Não podemos esquecer que estamos fazendo teatro, então o pensamento vira imagem e ação. Queremos comunicar algo e que esse algo seja entendido como o que se quer comunicar (se queremos dizer “água”, não queremos que se entenda “vinho”).

Chegamos a uma conclusão: mesmo sem estar nítida aquela imagem pode comunicar algo.

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Publicado por: Paulo Ricardo Nascimento | julho 14, 2009

4º dia de oficina – 07/07/2009

Tivemos um novo participante, ou melhor, um que ainda não tinha vindo: Michel. Além dele, Cleice, Katiuscia e Rodrigo.

A idéia de hoje (na verdade desse 2º momento da oficina) foi observar os atores e perceber a forma de trabalho de cada um, suas ferramentas e maneiras de utilizá-las. Ao longo dos exercícios propostos, busquei e percebê-los e fui tentando deixá-los conscientes dos seus processos de criação e atuação. Então, a cada série de atividades houve uma conversa.

A busca da consciencia da utilização das suas próprias ferramentas é um dos principais objetivos aqui. Ao percebê-los, me interessa fazê-los se perceberem.

Para começar propus um aquecimento individual (também ainda não é o momento de trabalhar o grupo, mas o indivíduo) e que fosse realizado cada qual a seu tempo.

Aquecimento individual

Aquecimento individual

Na sequência fizemos um exercício de reconhecimento e consciência espacial. A grosso modo, depois de caminhar pela sala repetidamente, todos fecharam os olhos e buscaram suas posições de origem na sala. Uma caminhada “no escuro” para perceber a estratégia de cada um em tomar conhecimento do espaço utilizado para o trabalho.

Buscando fazer com que percebessem qual o caminho individual e pessoal para a construção de um personagem, propus um exercício em que se partisse da caminhada cotidiana, passasse pela alteração da maneira de caminhar com fixação de algum formato corporal diferente do seu natural, até a a introdução de um gesto e uma vocalização. Sempre pedindo-lhes que percebessem o comportamento do próprio corpo nas alterações propostas. O resultado foi, no mínimo engraçado, mas bastante instigante para a discussão posterior.

Caminhada aleatória pelo espaço
Caminhada aleatória pelo espaço

Às “figuras” que cada um propôs (05 cada) poderíamos chamar de esboços (ou borrões) de personagens, criados aleatoriamente a partir de um indutor. Cada elemento acrescentado – um som ou um gesto – ia tornando mais nítido o desenho.

Os comentários dos atores diziam que o movimento (caminhada) inicial proposto para a figura sugeria um som ou um gesto que o completava. Acrescentava ao movimento já existente. Mas a repetição levava a possíveis alterações da caminhada inicial, que também poderia levar a outras alterações no som e no gesto.

Assim, ao signo original (forma corporal conseguida a partir da caminhada) detectamos que cada acrescimo ia pedindo outro, que ia enriquecendo ou empobrecendo o desenho do personagem, poreia deixá-lo mais nítido ou mais borrado, podendo inclisive mudá-lo por completo do esboço original e, ao final das contas, não dizer nada. O excesso pode significar exagero. O pouco pode ser muito.

Daqui, para a próxima semana, perceberemos isso na utilização do boneco. O movimento qualificado, surgido do boneco que já tem significado próprio.

Como dever de casa, ficou a proposta de cada escolher duas das cinco figuras para trazê-la mais possivelmente definida.

Amanhã, a oficina não acontecerá. Ou melhor, o trabalho de amanhã será ir ao IAP assistir, no horário da oficina, uma fala crítica que o Kil Abreu fará sobre o Festival Territórios de Teatro.

Publicado por: Paulo Ricardo Nascimento | julho 10, 2009

3º dia da oficina – 02/07/2009

Hoje, além da Katiuscia e da Cleice, estava o Dário. O Rodrigo, que passou o encontro anterior tomando remédio, pois ainda estava virótico, teve uma recaída e não veio.

Hoje trabalhamos no anfiteatro do Casarão do Boneco. Vento bom, garças passando sobre nossas cabeças e uma sombra bem agradável.

Continuei a introdução teórica que baseiará a oficina, porém, de maneira mais aprofundada e somente sobre aspectos da atuação do ator-manipulador, de maneira geral e indo para as especificidades do atuador do grupo In Bust.

Começaram os questionamentos e as curiosidades dos participantes.

Publicado por: Paulo Ricardo Nascimento | julho 10, 2009

2º dia da Oficina – 01/07/2009

Começamos bem tarde este encontro. Estavam Katuscia, Cleice e Rodrigo, dos inscritos. Também estavam mais três pessoas que vieram para saber se poderiam participar, mas não eram pessoas de teatro, não tinham experiencia de cena, então foram embora.

Falei da origem e propósito da pesquisa, das observações sobre o trabalho dos atores manipuladores do In Bust, que levaram a propor a mesma, do que se espera como resultado e da participação de pessoas que tem experiências de cena.

Contei um pouco da história da transformação pela qual o teatro de bonecos passou desde o início do século XX, na Europa, até os anos 90, em Belém do Pará, incluindo o surgimento do grupo In Bust. E, de maneira superficial e geral, tratei dos aspectos da atuação do ator-manipulador.

Na verdade foi um introdutório teórico para basear o que será feito na Oficina. Introdutório que seguirá até amanhã.

Obs. O post sobre o primeiro dia está na página “diário da oficina”, com link na pagina principal deste blog.

Publicado por: Paulo Ricardo Nascimento | julho 9, 2009

Olá

Bem vindo ao teatro COM bonecos!

Uma base para postagens da pesquisa sobre a arte dos atuadores do grupo In Bust, desenvolvida entre abril e dezembro de 2009, através da Bolsa de Pesquisa, Experimentação e Criação Artística do Instituto de Artes do Pará.

Aqui estarão publicados os escritos que antecederam e os já saídos da pesquisa teórica sobre a arte do ator-manipulador, que envolvem leventamento histórico, dados da atuação dos atuadores do grupo In Bust e uma busca sobre a técnica desta atuação, não sobre a manipulação de bonecos especificamente, mas sobre a relação do ator-manipulador com o boneco.

Também será publicado um diário da oficina-laboratório, com, fotos, atividades e alguns comentários, e posteriormente um diário da criação do resultado cênico desta pesquisa. Tudo relacionado aos diários será postado e depois virará uma página para acesso mais imediato.

Deixa um comentário e obrigado pela visita!

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